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Os porquês de uma vida

fev 21, 2025

Uma pergunta curta, mas que carrega o peso de um universo inteiro. Uma palavra que, quando nasce da dor, se transforma em grito, em súplica, em busca por sentido. “Por quê?”

Por que Deus permite tanto sofrimento? Por que pessoas boas enfrentam tragédias? Por que a vida, às vezes, parece injusta com quem busca fazer o bem? Por que perdemos aqueles que amamos? Por que a enfermidade chega sem aviso? Por que relacionamentos se desfazem? Por que a porta se fecha mesmo quando oramos tanto para que ela se abrisse?

Nos momentos em que a dor aperta e a alma sangra, essas perguntas surgem naturalmente. Elas brotam do desespero de quem tenta encontrar sentido no meio do caos. E, sim, elas são humanas. Não são prova de falta de fé, mas sinal de que ainda buscamos respostas em Deus. Perguntar é um ato de intimidade. É como uma criança que, sem entender o motivo da dor, corre para os braços do Pai e diz: “Por quê, Senhor?”

Curiosamente, não fazemos essas perguntas com a mesma intensidade nos dias bons. Dificilmente ouvimos: “Por que acordei com saúde hoje? Por que minha família está em paz? Por que fui poupado daquele acidente? Por que a provisão chegou?” A gratidão nem sempre tem o mesmo volume que o sofrimento. E isso revela o quanto somos seletivos em nosso olhar.

A verdade é que vivemos entre extremos. Entre a maternidade e o velório. Entre o riso e o lamento. E nesse intervalo, aprendemos que a vida é feita de altos e baixos, de entregas e perdas. Aquele filho que hoje choramos no sepultamento é o mesmo que, anos antes, celebramos com alegria ao nascer. Aquela cura que pedimos hoje, talvez seja para o mesmo corpo que durante anos desfrutou de plena saúde.

A ausência de respostas não é ausência de amor. Deus não se cala por indiferença, mas porque existem lições que só o silêncio é capaz de ensinar. E, às vezes, o que Ele deseja não é nos explicar, mas nos sustentar. É no deserto que aprendemos a confiar. É no vale que conhecemos o Pastor. É na perda que descobrimos o valor do eterno.

A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que, mesmo sem compreender os motivos, continuaram confiando. Paulo e Silas cantaram na prisão. Jó, coberto de feridas e cercado por acusações, declarou: “Ainda que Ele me mate, nEle esperarei”. Até Jesus, no momento mais angustiante de Sua vida, clamou: “Pai, se possível, afasta de mim este cálice”. Mas não parou aí. Ele completou: “Todavia, seja feita a Tua vontade”.

Essa é a chave. Não se trata de entender tudo, mas de confiar mesmo quando nada faz sentido. A fé não é o fim das perguntas, mas a coragem de seguir mesmo sem respostas. É aceitar que a vontade de Deus, ainda que misteriosa, é sempre boa, perfeita e agradável.

Nem todos os nossos “porquês” serão respondidos nesta vida. Afinal, temos prazo de validade. Nossos corpos mortais não duram mais que cento e vinte anos. A esperança que nos sustenta vai além do tempo. Como está escrito: “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam” (1 Coríntios 2:9). É uma promessa e por isso devemos esperar. experimentar, esperançar.

Portanto, se hoje você se encontra no meio da dor, se seus olhos estão marejados e sua alma clama por respostas, saiba: você não está sozinho. Deus vê. Deus ouve. E mesmo que não explique, Ele sustenta. Confie. Respire. Continue. Pois, no tempo certo, o que hoje parece confuso, será compreendido. E aquilo que agora é lamento, se transformará em louvor.

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