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Jesus nos faz feliz?

abr 14, 2025

Jesus se tornou, para muitos, uma “commodity” fácil de ser vendida — não porque seja superficial, mas porque os seres humanos sofrem. E onde há dor, sempre há quem aproveite. A dor vende. E por isso, o conceito de felicidade pode ser facilmente manipulado por uma falsa sensação de liberdade. As igrejas vi

Vemos isso nas distorções da fé: teologias da prosperidade, cultos da libertação, empresários da fé, “fogueiras santas”, objetos ungidos como a água do Jordão ou a folha da sarça ardente, e até um uso superficial do batismo com o Espírito Santo, fundamentado apenas em eventos como o movimento da Azusa Street. Tudo isso se tornou palco para uma religiosidade opressora, onde muitos se sentem “felizes” à custa de barganhas feitas em nome de Deus.

Mas essa felicidade é real?
Assim como o pensamento grego foi substituído com o tempo, a visão distorcida de Jesus também precisa ser substituída. Os gregos morreram, e com eles, muitos de seus questionamentos. Mas, 350 anos depois de Aristóteles, surgiu Jesus — subversivo para o judaísmo, tão revolucionário quanto Aristóteles para a filosofia.

Jesus disse coisas que ninguém jamais havia dito. Ele nos confrontou com a pergunta mais profunda: “O que faz a vida valer a pena?”
Sua resposta foi simples, mas eterna: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.”
Ele nos ensinou que o amor vale mais do que a própria vida.

Mas o Jesus que muitos rejeitam hoje não é o Jesus da Bíblia — é o Jesus estereotipado, domesticado pelas doutrinas, dogmas e doutrinações das igrejas. Um Cristo fabricado à imagem dos interesses humanos.

Esse Jesus fabricado nada tem a ver com o evangelho. O “Jesus protestante”, construído sobre as bases de um calvinismo rígido, muitas vezes é apresentado como cruel: imagine buscar salvação e ainda assim viver com a sensação de estar condenado, independentemente do que se faça…

Mas o verdadeiro Jesus veio para edificar. Seu amor quebrou todas as correntes internas do coração humano. Seus seguidores passaram a se tratar como irmãos, filhos, amados. Isso era inconcebível 300 anos antes, no auge da intelectualidade grega. Nenhum filósofo jamais alcançou essa profundidade de fraternidade.

E o mais impressionante: Jesus nunca prometeu felicidade.
Prometeu salvação. Vida eterna. Veja:

João 11:25 – “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.”
João 16:33 – “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo.”

Nem sempre a felicidade se fará presente na vida do crente. Mas existe uma certeza: a felicidade eterna nos aguarda. Estar em Cristo é um paradoxo — somos santos, e ao mesmo tempo pecadores. Somos completos, mas ainda sofremos. Isso é fé.

I Coríntios 1:18-25 fala de uma sabedoria que parece loucura para o mundo, mas que é, de fato, o poder de Deus.

A igreja de Laodiceia, em Apocalipse 3, nos dá um alerta: podemos estar tristes e nem saber. Podemos estar vazios, mesmo com riquezas e estruturas religiosas. É possível confundir conforto com paz.

Como é ser triste sem saber?
A cidade de Laodicéia (localizada atualmente na Turquia) era próspera, rica em medicina, indústria têxtil, ouro… E mesmo assim, era pobre diante de Deus. Assim também é hoje. Podemos estar cercados de religiosidade e ainda assim espiritualmente cegos, nus, desgraçados. A alegria verdadeira não nasce do coração humano — ela vem de fora, do alto, e entra em nós. Assim como um telefone precisa de uma rede para funcionar, nossa alma precisa de Deus para experimentar verdadeira alegria. Se liga nessa promessa:

Apocalipse 21:4 – “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem dor; porque as primeiras coisas passaram.”

O sofrimento, quando fora de Cristo, parece aleatório e cruel. Mas em Cristo, ele tem propósito. Como disse Jesus, “Eu não vim trazer paz, mas espada” (Mateus 10:34). Ele sabia que Sua mensagem traria divisão. Segui-Lo exige escolhas difíceis, muitas vezes dolorosas.

Romanos 8:28 – “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.”

O salmista Asafe, no Salmo 73, quase se desviou ao ver a prosperidade dos ímpios. Isso ainda nos afeta. Vemos criminosos enriquecendo, poderosos impunes… Mas nossa justiça não está aqui. Nosso lar não é aqui.

Jesus nos chamou para o discipulado, não para o conforto. Para tomar a cruz, não para buscar glória passageira. Ele foi assassinado. Como podemos esperar uma vida ilesa?

A verdade é dura: Ser feliz o tempo todo é o anormal na vida cristã.
O normal da fé cristã é enfrentar dor, luta, perseguição. A história nos ensinou isso.

A anomalia é ter igrejas ricas e influentes, congressos evangélicos com bancadas políticas, marchas de milhões de pessoas. O normal é ser perseguido. Nossa fé nasceu em meio à dor — com Jesus na cruz, com Estevão apedrejado, com irmãos servindo de tochas humanas em Roma e inúmeros casos registrados por 2000 anos, como um dos mais chocantes, vítimas do Estado Islâmico, onde milhares de execuções são publicadas online o tempo todo em países de governos autoritários sob a sharia. Mesmo assim, há quem diga: “Deus não faz nada!” Vamos entender uma coisa: O problema não é e nunca foi Deus — Sim, a teologia distorcida que recebemos e que se multiplica. Um cristianismo que ensina que tudo dará certo em troca de ofertas, como uma negociação com o divino faz de Deus, um negociador. Uma imagem caricaturada em quase todos os canais de humor. Essa descrença nasce, muitas vezes, de más experiências com quem ensinou mal quem Jesus é. E pasmem! Ainda misturam política e luta por poder de influência. Ousam querer a glória que pertence somente a Jesus Cristo.

Mas mesmo sem prometer uma vida fácil, Deus nunca deixou de agir. Os testemunhos são muitos: curas, livramentos, milagres, e até os detalhes diários — o ar que respiramos, a saúde, a natureza. Sua bondade é constante.

A santidade não é abrir mão do que te faz feliz.
É encontrar felicidade naquilo que é bom.
É abandonar o que é destrutivo e falso, e abraçar o que é verdadeiro e eterno.

Alguns dizem: “Toda forma de amor é válida”. Será mesmo? Até o extremismo? Até aquilo que fere, destrói, escraviza?

A verdadeira alegria está na cruz.
Na certeza de que, apesar do sofrimento, fomos salvos.
A santidade pode parecer leve para alguns, pesada para outros — mas é o Espírito Santo quem nos conduz, não a opressão religiosa.

A falsa ideia de que “Jesus não faz feliz” nasce de uma falsa visão do evangelho. Jesus não veio para fazer você feliz agora — Ele veio para dar sentido ao sofrimento e garantir uma alegria eterna.

E enquanto isso… temos a praia, a música, o açaí, o pôr do sol, as amizades, os sorrisos…
Sim, aprendemos a chorar. Mas choramos com esperança.
Pois um dia, Ele enxugará de nossos olhos toda lágrima.

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