Vivemos em um mundo onde a justiça plena parece estar sempre distante. Os noticiários mostram guerras, corrupção, doenças e injustiças que atingem principalmente os inocentes. Por vezes, nos perguntamos: “Por que pessoas boas sofrem?” ou “Será que Deus não está vendo?”. Essas perguntas são legítimas — e profundamente humanas.
Mas a Bíblia não nos ilude com promessas de uma vida fácil. Pelo contrário, ela nos convida a enxergar o sofrimento sob uma perspectiva eterna. O apóstolo Pedro nos encoraja a não nos envergonharmos ao sofrer por sermos cristãos, mas a glorificarmos a Deus mesmo nesses momentos. Ele diz que, se somos insultados por causa do nome de Cristo, somos bem-aventurados, pois o Espírito da glória repousa sobre nós (1 Pedro 4:13-16).
Essa é uma verdade difícil de aceitar quando estamos no meio da dor. No entanto, é justamente nesse cenário que a fé mais se aprofunda. Deus não desperdiça nenhuma lágrima. Nada do que passamos é ignorado por Ele. O sofrimento do justo não é um castigo, mas um processo de lapidação — um sinal de confiança. O céu está dizendo: “Eu confio em você para passar por isso.”
Há um propósito maior acontecendo, ainda que não o vejamos por completo agora. Estamos inseridos em um grande conflito entre o bem e o mal, um conflito cósmico, invisível, mas real. Nessa batalha, as trevas se opõem ferozmente àqueles que decidiram caminhar com Deus. E por isso, seguir a Cristo implica em carregar também a cruz, renunciar a si mesmo, perseverar no deserto e continuar fiel mesmo quando o silêncio de Deus parece ensurdecedor.
A fé verdadeira não se revela apenas nos momentos de vitória, mas principalmente nos tempos difíceis — na espera, nas dúvidas, nas decisões difíceis que ninguém vê. É ali que Deus forja os corações, planta raízes profundas e nos prepara para suportar ventos fortes.
A Bíblia está repleta de histórias assim. Jó é uma delas. Ele perdeu tudo: filhos, bens, saúde, apoio. Foi acusado, julgado e deixado sozinho. E mesmo assim declarou: “Antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem.” No final, Deus o restaurou em dobro. Mas mais do que as bênçãos materiais, Jó ganhou um conhecimento íntimo e profundo de quem Deus é.
Talvez isso não aconteça com todos aqui na terra. Talvez não vejamos a retribuição em forma de prosperidade ou aplausos. Mas a promessa permanece: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e Ele tudo fará.” (Salmos 37:5)
Desde o Éden, a história da humanidade foi marcada pela escolha da desobediência. Deus criou o mundo perfeito. A cada dia da criação, Ele dizia: “É bom.” No sexto dia, ao criar o ser humano, declarou: “É muito bom.” Mas ao estabelecer um limite, deu também liberdade. E o ser humano escolheu o erro.
Essa decisão manchou a obra da criação. A comunhão com Deus se rompeu. O homem passou a temer aquele com quem antes tinha prazer de andar. A mulher, que era sua companheira, passou a ser culpada. A criação, que deveria ser cuidada, passou a ser destruída e idolatrada. O pecado distorceu tudo. E o mundo adoeceu.
Séculos depois, ainda colhemos os frutos dessa escolha. O salário do pecado é visível: violência, doenças, dor, separação. Tudo isso grita o quanto foi desastrosa a desobediência. Ainda assim, Deus não abandonou Sua criação. Ele escolheu resgatá-la. E para isso, entregou o que tinha de mais precioso: Seu Filho.
Jesus não veio como mártir. Ele veio com um propósito claro: morrer voluntariamente por nossos pecados. Se fez carne, habitou entre nós, curou, libertou e estendeu graça onde havia condenação. Nele, Deus revelou o Seu amor em forma de redenção.
Esse é o plano da salvação: trazer vida onde o pecado gerou morte. Restaurar o que foi quebrado. Redimir o que foi perdido. E não apenas a alma do ser humano, mas toda a criação.
Como diz Paulo em Filipenses 3:20-21, “a nossa cidadania está nos céus, de onde aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele transformará o nosso corpo abatido para ser conforme o Seu corpo glorioso, segundo o Seu poder de sujeitar a si todas as coisas.”
O mal não vencerá. Ele tem seus dias contados pelas profecias. Ainda que por um tempo o sofrimento pareça prevalecer, ele não será eterno. Deus não está ausente. Ele está trabalhando, mesmo no silêncio.
Por isso, vale sim a pena ser honesto. Vale sim a pena permanecer fiel.
Porque o sofrimento presente não se compara com a glória que será revelada.
E os que perseverarem até o fim, esses serão chamados filhos de Deus.